CID da apneia: como consta no laudo
O código que aparece em laudo, atestado ou pedido de exame no Brasil é G47.3 — sozinho, sem sufixo. A subdivisão em G47.30, G47.31 e G47.33 que circula em conteúdo americano é de outra tabela. Veja o que o código diz de fato, o que ele não informa, e por que aparece em pedido de plano de saúde e em perícia do INSS.
Por Fabiano Carvalho · Atualizado em 05 de agosto de 2026 · 5 min de leitura · Como avaliamos a evidência

“G47.3” sozinho, sem explicação nenhuma do lado — essa é a cena que leva à busca. É o código que aparece no laudo de polissonografia, no atestado ou no pedido de CPAP, e ele carrega menos informação do que parece: não diz gravidade, não diz o tipo de apneia e, diferente do que aparece em muito conteúdo em inglês, não tem subdivisão nenhuma na tabela usada no Brasil.
O que o código G47.3 confirma — e o que só o laudo revela
O que faz: o código G47.3 confirma que o diagnóstico registrado, na tabela do DATASUS usada no Brasil, é apneia do sono — o mesmo código que operadora de plano de saúde, hospital e INSS leem sem precisar traduzir o texto do médico.
O que não faz: não diz o tipo — obstrutiva, central e mista entram todas sob o mesmo número — nem a gravidade do quadro, porque a categoria oficial já reúne os dois mecanismos juntos.
O que define o caso: o índice de apneia-hipopneia (IAH) registrado no laudo da polissonografia, que classifica o quadro em leve, moderado ou grave — informação que está no texto do exame, não no código da doença.
Quem não deve seguir sozinho: quem vai usar o G47.3 numa perícia do INSS ou num pedido ao plano de saúde não deve levar só o código — precisa também do laudo com o IAH e do relatório do especialista, porque o código isolado raramente sustenta um pedido sozinho.
O código é um só: G47.3
A CID-10 usada no Brasil — a tabela do DATASUS, que segue a versão da Organização Mundial da Saúde — classifica apneia do sono num único código de quatro caracteres: G47.3. Não existe G47.30, G47.31 ou G47.33 nessa tabela. Esses números aparecem porque os Estados Unidos adotaram uma versão própria e mais detalhada, o ICD-10-CM (clinical modification), que abre o mesmo diagnóstico em subcódigos: G47.30 para apneia não especificada, G47.31 para apneia central primária, G47.33 para apneia obstrutiva do adulto, e mais algumas variações para hipoventilação e apneia central associada a outra doença.
Quem busca em português depois de esbarrar num site americano tende a estranhar o próprio laudo — “cadê o subcódigo?” Não falta nada: é tabela diferente. No Brasil, obstrutiva, central e mista entram todas debaixo do mesmo G47.3.
O que o código cobre, sem separar tipo
A definição oficial da categoria já nomeia os dois mecanismos como parte do mesmo código: apneia central e apneia obstrutiva (incluindo o quadro antigamente chamado de síndrome de Pickwick) ficam sob G47.3. Isso significa que o código, por si, não informa qual dos dois o paciente tem — essa distinção fica no texto do laudo, na descrição do exame, não no número.
G47.3 está dentro da categoria G47 — Distúrbios do sono, ao lado de G47.0 (insônia), G47.1 (sonolência excessiva/hipersonia), G47.2 (distúrbio do ciclo vigília-sono) e G47.4 (narcolepsia). É o vizinho que aponta para a família do problema — sono — antes de especificar qual distúrbio dentro dela.
Por que esse código aparece no laudo, no atestado e na perícia
O CID existe para padronizar diagnóstico entre sistemas diferentes — é o mesmo código que o consultório, o plano de saúde, o hospital e o INSS leem sem precisar traduzir o texto do médico. Na prática, G47.3 aparece em pelo menos três situações:
No pedido de exame ou de equipamento: a operadora de plano de saúde usa o código para autorizar a polissonografia ou o CPAP — é o campo que justifica, no sistema da operadora, por que aquele procedimento foi solicitado.
No atestado ou relatório médico: junto da descrição clínica, o código entra como identificador padronizado do diagnóstico, útil para histórico e para comunicação entre profissionais.
Na perícia do INSS ou em avaliação ocupacional (exame para categoria de CNH profissional, por exemplo): o código situa o pedido dentro da classificação oficial de doenças, mas não substitui a documentação que comprova gravidade e impacto funcional.
O que o código não informa
G47.3 não carrega o índice de apneia-hipopneia (IAH), o número que mede quantas pausas respiratórias acontecem por hora de sono e que define se o quadro é leve, moderado ou grave — esse dado vem só do laudo da polissonografia, não do código da doença. Também não informa se o tratamento já em curso está funcionando, nem o tempo de diagnóstico. Para quem depende do CID numa perícia ou numa negociação com o plano de saúde, é esse conjunto — código mais laudo mais índice — que pesa, nunca o código isolado.
O que fazer ao ver G47.3 no seu próprio exame ou atestado
Ele confirma que o diagnóstico registrado é apneia do sono — nada além disso. Vale ler o texto do laudo para saber o tipo (obstrutiva, central ou mista) e o IAH, que é o número que realmente descreve a gravidade do caso. Se o código vai ser usado para pedir benefício, autorização de equipamento ou justificar afastamento, leve também os exames e relatórios que sustentam o diagnóstico — o código sozinho, numa perícia ou numa auditoria de plano de saúde, raramente é suficiente.
Resumindo
No Brasil, o CID da apneia do sono é G47.3 — código único, sem os subcódigos G47.30, G47.31 ou G47.33 que aparecem em conteúdo americano, porque esses vêm de uma tabela diferente (o ICD-10-CM dos Estados Unidos). O código cobre obstrutiva e central sob o mesmo número, sem indicar qual delas nem a gravidade — essa informação está no texto do laudo e no índice de apneia-hipopneia, não no CID. Ele serve para padronizar o diagnóstico entre plano de saúde, atestado e perícia do INSS, mas sozinho raramente resolve um pedido: o que pesa é o conjunto de documentos por trás dele.
Perguntas frequentes
Qual é o CID da apneia do sono?
G47.3. Na tabela de CID-10 usada no Brasil (DATASUS, seguindo a versão da OMS), é um código único — sem subdivisão por tipo ou gravidade. Aparece assim, sozinho, em laudo de polissonografia, atestado e pedido de exame ou de CPAP.
G47.3 é apneia obstrutiva ou central?
As duas. A definição oficial da categoria inclui tanto a apneia obstrutiva quanto a central sob o mesmo código — o CID não distingue qual mecanismo o paciente tem. Essa informação vem escrita no texto do laudo, não no número do código.
Por que alguns sites mostram G47.30, G47.31 ou G47.33?
Porque são de conteúdo americano. Os Estados Unidos usam uma versão própria e mais detalhada da CID, o ICD-10-CM, que divide o diagnóstico em subcódigos — G47.30 (não especificada), G47.31 (central primária), G47.33 (obstrutiva) e outros. Essa subdivisão não existe na tabela brasileira: aqui, tudo fecha em G47.3.
CID G47.3 no atestado garante afastamento pelo INSS?
Não sozinho. O código identifica o diagnóstico, mas o perito do INSS avalia a incapacidade a partir do conjunto: laudo de polissonografia com o índice de apneia-hipopneia, relatório do especialista descrevendo sintomas e limitação, resposta a tratamentos já tentados. Um atestado com G47.3 sem esse material dificilmente sustenta um benefício sozinho.
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