CID da ginecomastia: como consta no atestado e no exame
Na CID-10, ginecomastia é N62 — e o título do código não é ginecomastia, é "hipertrofia da mama". Veja o que esse código registra, o que ele não distingue, e como ele funciona no atestado, no pedido do INSS e na guia do convênio, incluindo a regra que permite pedir o atestado sem o código.
Por Fabiano Carvalho · Atualizado em 05 de agosto de 2026 · 6 min de leitura · Como avaliamos a evidência

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“Qual o CID da ginecomastia” quase nunca é uma busca por curiosidade. Ela costuma vir com um papel na mão — um atestado que o RH pediu, uma guia de convênio para preencher, um pedido de exame com uma sigla escrita à caneta. O código existe, é curto, e o primeiro estranhamento é que ele não tem a palavra ginecomastia no título.
O que o código CID resolve — e o que só o relatório clínico resolve
O que faz: O N62 identifica o diagnóstico de forma padronizada no atestado, na guia TISS do convênio e no pedido de benefício do INSS.
O que não faz: Não distingue nada do que importa clinicamente — não separa grau, lado, idade, causa nem gravidade. O mesmo código serve para o adolescente com aumento leve e para o caso extenso de anos.
O que define o caso: O relatório clínico e o laudo de imagem, que descrevem o que foi visto — tecido glandular, tecido adiposo, medida, distribuição —, é isso que muda a conduta e sustenta pedido de exame, cirurgia ou afastamento, nunca a sigla sozinha.
Quem não deve seguir sozinho: Quem presume que o código é obrigatório no atestado — ele só entra com autorização expressa do paciente, pela Resolução CFM nº 1.851/2008 — ou quem acha que ter o N62 anotado garante cobertura do convênio, quando quem decide isso é a análise do relatório completo pela operadora.
N62, e o título é “hipertrofia da mama”
Na CID-10 — a classificação em uso no Brasil, publicada pelo Ministério da Saúde através do DATASUS —, ginecomastia é N62. O código fica no capítulo XIV, o das doenças do aparelho geniturinário, dentro do grupo N60-N64, das doenças da mama. O título oficial da categoria é “hipertrofia da mama”.
Ginecomastia aparece ali como termo de inclusão, junto com “hipertrofia da mama SOE” (sem outra especificação) e “hipertrofia mamária puberal maciça”. É por isso que o papel pode voltar do consultório com uma descrição que parece de outra pessoa: o médico registrou o diagnóstico certo, no código certo, e o código simplesmente tem um nome mais amplo do que o quadro.
O que N62 registra, no caso do homem, é o crescimento do tecido mamário glandular — o desequilíbrio entre estrogênio e testosterona descrito no artigo de visão geral do cluster. A classificação não guarda esse mecanismo. Ela guarda o achado.
O que o código não distingue
N62 é uma categoria de três caracteres, sem desdobramento em quarto dígito. Isso tem uma consequência prática que economiza confusão: o código não separa nada do que interessa clinicamente. Não distingue grau, não distingue um lado do outro, não separa a ginecomastia puberal da que aparece aos 50 anos, nem a causada por medicamento da que não tem causa identificada.
Um adolescente com aumento leve e um homem com quadro extenso de anos carregam o mesmo N62 na guia. A diferença entre os dois vive no laudo, no relatório e no prontuário, escrita em texto — nunca no código. Quem espera que o CID no papel diga alguma coisa sobre gravidade está pedindo ao código uma informação que ele não foi feito para carregar.
Vale registrar um limite: a lista de inclusão de N62 não menciona pseudoginecomastia nem lipomastia. Quando a avaliação conclui que o volume é acúmulo de gordura, sem componente glandular, o registro segue o diagnóstico que o médico fechou — e pode não ser N62. A diferenciação clínica entre os dois quadros é assunto de outro artigo do cluster; aqui basta saber que o código muda quando o diagnóstico muda.
No atestado, o código depende da sua autorização
Esse é o ponto que a busca por “CID da ginecomastia” quase sempre ignora, e é o mais útil dos dois lados do balcão.
O médico não é obrigado a escrever o código no atestado. A Resolução CFM nº 1.851/2008 estabelece que o diagnóstico só é informado no documento mediante autorização expressa do paciente, em linha com o artigo 73 do Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018), que veda revelar fato conhecido no exercício da profissão sem consentimento por escrito. O Tribunal Superior do Trabalho já confirmou a validade dessa regra do CFM diante de exigências em sentido contrário.
Para ginecomastia isso não é detalhe burocrático. O afastamento costuma ser pós-operatório, e o atestado é entregue a um setor de recursos humanos — um código no papel abre para terceiros um diagnóstico que ninguém é obrigado a compartilhar. O atestado sem CID continua sendo documento válido para justificar a ausência: o que ele precisa provar é a necessidade de afastamento e o período, não a doença.
No INSS, o CID é uma das duas opções
No pedido de benefício por incapacidade temporária pela análise documental (Atestmed), o INSS especifica o que o documento médico precisa conter: estar legível e sem rasuras, ter data de emissão não superior a 90 dias da entrada do requerimento, trazer assinatura e identificação do profissional com registro no conselho de classe, e apresentar diagnóstico por extenso ou código da CID.
O “ou” é o que importa. O código resolve porque é curto e padronizado, mas o diagnóstico escrito por extenso cumpre a mesma exigência. Atestados que recomendam afastamento de até 90 dias podem ser analisados exclusivamente por documento, sem perícia presencial, e o benefício concedido por essa via não ultrapassa 180 dias.
No convênio, o código identifica — não decide
Na saúde suplementar, o CID circula pelo padrão TISS, da ANS. A guia de solicitação de internação tem campo para CID principal e para CIDs adicionais, e o manual do padrão determina o preenchimento obrigatório na guia de resumo de internação, respeitando as regras do Conselho Federal de Medicina sobre sigilo.
O que o código faz ali é identificar o diagnóstico dentro de um formato que o sistema da operadora lê. Ele não é a justificativa clínica do pedido, e não substitui o relatório do médico, o exame de imagem ou a descrição do quadro — é justamente por não distinguir grau nem causa que N62 sozinho não sustenta uma solicitação. A análise de cobertura cada operadora conduz com o conjunto do que foi enviado.
No prontuário e no pedido de exame, a lógica é a mesma: o código organiza o registro, o texto carrega a informação. Um laudo de ultrassonografia mamária descreve o que foi visto — tecido glandular, tecido adiposo, medida, distribuição —, e é essa descrição que muda a conduta, não a sigla no cabeçalho.
O código muda na CID-11
A Organização Mundial da Saúde já publicou a CID-11, em que hipertrofia da mama é GB22, com ginecomastia entre os termos incluídos. A transição brasileira ainda está em curso, e os documentos que chegam à mão do paciente hoje — atestado, guia, prontuário — seguem operando em CID-10. Na prática de 2026, o código que você vai ver escrito é N62.
Resumindo
Ginecomastia é N62 na CID-10, num código cujo título é “hipertrofia da mama” e que não distingue grau, lado, idade nem causa — a mesma etiqueta serve para o adolescente com aumento leve e para o caso extenso de anos. Ele identifica o diagnóstico no atestado, na guia TISS do convênio e no prontuário, mas não decide nada sozinho: quem sustenta pedido de exame, de cirurgia ou de afastamento é o relatório clínico. E o erro de expectativa mais comum é achar que o código é obrigatório no atestado — ele só entra com autorização expressa do paciente, e o INSS aceita, em lugar dele, o diagnóstico escrito por extenso.
Perguntas frequentes
Qual o CID da ginecomastia?
N62, na CID-10 — a classificação em uso no Brasil, publicada pelo Ministério da Saúde através do DATASUS. O código está no capítulo XIV (doenças do aparelho geniturinário), no grupo N60-N64 (doenças da mama). O título da categoria é "hipertrofia da mama"; ginecomastia consta como termo de inclusão dela.
Por que o CID N62 fala em hipertrofia da mama e não em ginecomastia?
Porque a CID agrupa condições por categoria, não por nome popular. N62 cobre o aumento do volume mamário de forma geral, e ginecomastia entra como um dos termos incluídos nessa categoria, ao lado de "hipertrofia da mama SOE" e da hipertrofia puberal maciça. O código não tem quarto dígito, então ele não separa homem de mulher, grau, lado nem causa.
O atestado médico precisa vir com o CID?
Não. Pela Resolução CFM nº 1.851/2008 e pelo artigo 73 do Código de Ética Médica, o diagnóstico só entra no atestado com autorização expressa do paciente — o sigilo é a regra, o código é a exceção autorizada. O atestado sem CID continua válido para justificar o afastamento. No pedido de benefício por incapacidade ao INSS, o próprio critério oficial aceita "diagnóstico por extenso ou código da CID", ou seja, o código não é o único caminho.
Ter o CID N62 garante que o convênio cubra a cirurgia?
Não. O código identifica o diagnóstico nas guias do padrão TISS, da ANS, mas quem analisa o pedido olha o conjunto: relatório clínico, exames de imagem e a indicação do cirurgião. O N62 é a etiqueta administrativa do diagnóstico, não a justificativa clínica dele — e a mesma etiqueta cobre casos muito diferentes entre si.
Este conteúdo é informativo, sobre nutrientes e compostos estudados por seus possíveis efeitos — não é indicação médica. Os suplementos indicados neste blog não são medicamentos, não tratam nem curam disfunção erétil, baixa libido ou qualquer outra condição, e não substituem prescrição médica nem tratamento em andamento. Se os sintomas persistirem ou piorarem, procure um profissional de saúde.