Pinus pinaster (casca de pinheiro marítimo): para que serve
O extrato de casca de pinheiro marítimo tem ensaios clínicos sobre função erétil — mas quase todos testam o extrato junto com L-arginina, e a via medida é vascular, não hormonal. Veja o que cada estudo mediu, a dose usada e onde a evidência é fraca.
Por Equipe Dossiê Homem · Atualizado em 03 de agosto de 2026 · 6 min de leitura · Como avaliamos a evidência

Evidência limitada para disfunção erétil leve — e quase todo estudo mistura L-arginina — não dá para separar o efeito.
- Medido
- índice de função erétil (IIEF), por via vascular
- Não faz
- quase todo estudo mistura L-arginina — não dá para separar o efeito
- Dose
- 3 a 6 meses de uso contínuo
- Base
- Trebatický 2019 (n=53, extrato isolado) · Ledda 2010 (n=124)
“Casca de pinheiro para ereção” é uma dessas frases que soam a lenda de internet até você procurar o nome científico e descobrir que existe uma pilha de ensaios clínicos publicados. O Pinus pinaster — pinheiro marítimo francês — realmente tem literatura própria em saúde sexual masculina. O que quase ninguém explica é o que exatamente foi testado: em boa parte dos estudos, não foi a casca de pinheiro sozinha.
O que os estudos mediram
O ensaio que chega mais perto de isolar o extrato é o de Trebatický et al. (2019), publicado no Bratislava Medical Journal: 53 homens com disfunção erétil, divididos entre 32 com diabetes e 21 sem, randomizados para receber o extrato padronizado de casca de pinheiro marítimo ou placebo, por 3 meses. A medida foi o IIEF-5, o questionário padrão de função erétil. O grupo com diabetes melhorou 45% na pontuação; o grupo sem diabetes, 22% — o placebo não moveu nenhum dos parâmetros medidos, em nenhum dos dois grupos. Colesterol e glicemia também caíram entre os diabéticos.
O outro ensaio grande é o de Ledda et al. (2010), na BJU International: 124 homens entre 30 e 50 anos, com disfunção erétil leve a moderada, randomizados, duplo-cego, controlado por placebo, por 6 meses. Aqui o produto testado foi uma combinação de extrato de casca de pinheiro com aspartato de L-arginina. O domínio erétil do IIEF saiu de 15,2 na linha de base para 25,2 no terceiro mês e 27,1 no sexto. O placebo foi de 15,1 para 19,1 e estacionou em 19,0. A diferença é real e o desenho é bom — mas o que foi testado é a dupla, não o pinheiro. Uma meta-análise recente (Tian et al., 2023, Frontiers in Endocrinology) reuniu os três ensaios controlados dessa combinação, 184 participantes ao todo, e encontrou 8,9 pontos de diferença média no domínio erétil do IIEF frente ao placebo (IC 95%: 4,14 a 13,66) — com a ressalva, dos próprios autores, de que três estudos e um deles de alto risco de viés são base estreita.
O mecanismo não é hormonal
Quem procura suplemento para desempenho geralmente presume o mesmo caminho: mais hormônio, mais função. Não é essa a via proposta aqui. As proantocianidinas do extrato agem sobre o endotélio — a camada interna dos vasos — favorecendo a produção de óxido nítrico, a molécula que relaxa a musculatura lisa e permite o enchimento do corpo cavernoso. É uma rota vascular, não endócrina, e é coerente com o fato de a melhora mais forte no estudo de Trebatický ter aparecido justamente em quem tinha diabetes, onde a disfunção endotelial é o problema de base.
Isso explica também por que a L-arginina aparece grudada no extrato em tantos protocolos: ela é o substrato de que a enzima precisa para fabricar óxido nítrico. A lógica é fornecer a matéria-prima e o estímulo ao mesmo tempo. Coerente — mas significa que atribuir o resultado da combinação à casca de pinheiro isolada é uma extrapolação que aquele desenho de estudo não autoriza.
Há uma exceção incômoda ao “não é hormonal”: Ledda relatou aumento significativo de testosterona no grupo tratado. É um achado isolado, de um estudo com a combinação, não replicado por grupos independentes — evidência preliminar, não fato estabelecido.
Dose e duração dos protocolos
O número que se repete é 120 mg/dia do extrato padronizado, tomado de forma contínua, com avaliação em 3 meses — é a dose do piloto que a Cochrane de 2012 incluiu e a do terceiro mês do protocolo de Stanislavov. Aoki et al. (2012), na Phytotherapy Research, chegaram a resultado positivo com metade disso (60 mg/dia, também com L-arginina) em 8 semanas. O estudo de 6 meses sugere que a pontuação continua subindo com o uso prolongado, e não que estabiliza no terceiro mês. No protocolo de Stanislavov, a L-arginina entrou na dose de 1,7 g/dia.
Nenhum ensaio publicado testou dose única, uso esporádico ou efeito “na hora”. Quem espera comportamento de comprimido de ação rápida está comparando com uma classe de medicamento que funciona por outro caminho e em outra escala de tempo.
Onde a evidência é fraca
Três ressalvas que mudam a leitura.
A primeira: o estudo que produziu o número mais repetido da área — “92,5% dos homens recuperaram a ereção normal” — é o de Stanislavov & Nikolova (2003), no Journal of Sex & Marital Therapy. Foram 40 homens de 25 a 45 anos, sem disfunção erétil de causa orgânica confirmada, tomando L-arginina no primeiro mês e depois somando 80 mg e 120 mg do extrato nos meses seguintes. Não havia grupo placebo. Num desfecho tão sensível a expectativa quanto função sexual autorrelatada, um estudo sem placebo e com dose escalonada ao longo do tempo não sustenta o percentual que dele se extrai.
A segunda: a revisão sistemática da Cochrane avaliou esse extrato duas vezes, e disfunção erétil estava entre as condições analisadas nas duas. A versão de 2012 (Schoonees et al.) reuniu 15 ensaios com 791 participantes em sete condições crônicas, com a função erétil representada por um único estudo de 21 participantes. A atualização de 2020 (Robertson et al.) ampliou para 27 ensaios e 1.641 participantes em dez condições. As duas chegaram à mesma conclusão: a evidência disponível é insuficiente para sustentar o uso do extrato em qualquer uma dessas condições, por amostras pequenas, poucos ensaios por condição e risco de viés.
A terceira: boa parte dessa pesquisa foi financiada pela empresa detentora da marca do extrato padronizado, e alguns dos grupos que assinam os ensaios positivos são recorrentes. Isso não invalida os achados — mas é o tipo de informação que muda o peso que se dá a um resultado ainda não replicado por gente sem interesse no produto.
Segurança
O perfil de segurança é dos mais tranquilos entre os suplementos com pesquisa nessa área: os ensaios não relataram efeitos adversos relevantes nas doses usadas, e as queixas descritas foram leves e gastrointestinais. Ainda assim, por atuar sobre vasos e sobre agregação plaquetária, o extrato merece conversa com médico antes de ser somado a anticoagulante, antiagregante ou medicação para pressão. Dificuldade de ereção persistente também não é assunto de suplemento: em muitos homens é sinal cardiovascular precoce, e a avaliação médica vem antes de qualquer frasco.
Resumindo
O extrato de casca de Pinus pinaster tem ensaios randomizados com resultado positivo sobre função erétil — uso contínuo por 3 meses, medido por IIEF, com efeito maior em quem tem diabetes —, e a via é vascular, pelo óxido nítrico, não hormonal. Mas parte importante da literatura testa o extrato acompanhado de L-arginina, o estudo do número famoso não tinha placebo, e a Cochrane classificou o conjunto da obra como insuficiente. O erro de expectativa mais comum é ler “92,5%” e imaginar um substituto natural de medicamento de ação rápida: o que os estudos descrevem é um efeito modesto, cumulativo ao longo de meses, sobre a saúde do vaso — que é uma coisa útil, e uma coisa diferente.
Perguntas frequentes
Pinus pinaster funciona para ereção?
Existem ensaios clínicos com resultado positivo, mas com ressalvas. O mais controlado (Trebatický et al., 2019) acompanhou 53 homens por 3 meses e mediu melhora no índice de função erétil frente ao placebo, com o extrato isolado. Vários outros estudos testaram o extrato combinado com L-arginina, o que impede separar o efeito de cada um.
Pinus pinaster e Pycnogenol são a mesma coisa?
Pycnogenol é a marca registrada de um extrato padronizado da casca do Pinus pinaster, e é a forma usada em praticamente toda a pesquisa clínica. Extratos de casca de pinheiro sem essa padronização não têm estudo próprio — o teor de proantocianidinas varia entre fabricantes.
Quanto tempo o pinus pinaster leva para fazer efeito?
Nos ensaios, a avaliação foi feita após 3 meses de uso contínuo, e o estudo de 6 meses (Ledda et al., 2010, com 124 homens) mostrou pontuação ainda maior no sexto mês que no terceiro. Nenhum protocolo publicado testou efeito em dose única ou em poucos dias.
Pinus pinaster aumenta a testosterona?
A evidência é fraca. Um único ensaio (Ledda et al., 2010) relatou aumento de testosterona, mas com o extrato combinado a L-arginina e num grupo de pesquisa com vínculo com o fabricante. Os estudos que testaram o extrato isolado mediram parâmetros vasculares, não hormonais.
Este conteúdo é informativo, sobre nutrientes e compostos estudados por seus possíveis efeitos — não é indicação médica. Os suplementos indicados neste blog não são medicamentos, não tratam nem curam disfunção erétil, baixa libido ou qualquer outra condição, e não substituem prescrição médica nem tratamento em andamento. Se os sintomas persistirem ou piorarem, procure um profissional de saúde.