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Valores de referência do colesterol

Colesterol: tabela de valores normais por fração

Os valores de referência de colesterol total, HDL, LDL, não HDL e apolipoproteína B segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (SBC, 2025), em tabela única. Três das linhas têm número fixo para qualquer adulto — a do LDL não tem: ela muda de 115 para 40 mg/dL conforme a categoria de risco cardiovascular de quem fez o exame.

Por Fabiano Carvalho · Atualizado em 05 de agosto de 2026 · 7 min de leitura · Como avaliamos a evidência

Valores de referência do colesterol

“Colesterol normal é quanto” tem resposta direta para três linhas do exame e nenhuma resposta única para a quarta — que é justamente a que decide conduta. Colesterol total, HDL e triglicérides têm um valor desejável fixo, igual para qualquer adulto. O LDL não tem. O número que conta como normal para você depende da sua categoria de risco cardiovascular, e vai de 115 a 40 mg/dL de uma pessoa para outra.

A tabela abaixo reproduz a Tabela 3.1 da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025 (Rached et al., Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 122(9):e20250640), da Sociedade Brasileira de Cardiologia, válida para adultos com mais de 20 anos.

O que a tabela resolve — e o que só a categoria de risco confirma

O que faz: reúne os valores de referência de todas as frações do colesterol segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (SBC, 2025) — total, HDL e triglicérides com número fixo para qualquer adulto, LDL, não-HDL e apolipoproteína B por categoria de risco.

O que não faz: não entrega um “valor normal” único de LDL. As quinze linhas de LDL, não-HDL e apoB da tabela não são faixa de normalidade — são alvos terapêuticos, e a meta de LDL sozinha vai de 115 a 40 mg/dL.

O que define o caso: a categoria de risco cardiovascular, estimada pelo escore PREVENT somado a critérios clínicos — doença aterosclerótica já manifesta, diabetes, aterosclerose subclínica documentada em exame de imagem, entre outros fatores agravantes.

Quem não deve seguir sozinho: quem compara o próprio LDL a um único número da tabela sem saber a própria categoria — 90 mg/dL aprova uma pessoa e reprova outra. E quem tem resultado perto de um limite de decisão deve confirmar com nova coleta antes de mudar conduta, não tratar como definitivo.

A tabela

Fração Em jejum (12h) Sem jejum Categoria
Colesterol total < 190 mg/dL < 190 mg/dL Desejável
HDL-c > 40 mg/dL > 40 mg/dL Desejável
Triglicérides < 150 mg/dL < 175 mg/dL Desejável
LDL-c < 115 mg/dL < 115 mg/dL Baixo
LDL-c < 100 mg/dL < 100 mg/dL Intermediário
LDL-c < 70 mg/dL < 70 mg/dL Alto
LDL-c < 50 mg/dL < 50 mg/dL Muito alto
LDL-c < 40 mg/dL < 40 mg/dL Extremo
Não-HDL-c < 145 mg/dL < 145 mg/dL Baixo
Não-HDL-c < 130 mg/dL < 130 mg/dL Intermediário
Não-HDL-c < 100 mg/dL < 100 mg/dL Alto
Não-HDL-c < 80 mg/dL < 80 mg/dL Muito alto
Não-HDL-c < 70 mg/dL < 70 mg/dL Extremo
Apolipoproteína B < 100 mg/dL < 100 mg/dL Baixo
Apolipoproteína B < 90 mg/dL < 90 mg/dL Intermediário
Apolipoproteína B < 70 mg/dL < 70 mg/dL Alto
Apolipoproteína B < 55 mg/dL < 55 mg/dL Muito alto
Apolipoproteína B < 45 mg/dL < 45 mg/dL Extremo

As três primeiras linhas são valores referenciais: descrevem o que é desejável na população adulta. As quinze linhas seguintes não são valores de normalidade — são alvos terapêuticos, e a diretriz é explícita ao chamá-los assim. É a diferença entre “seu número está fora da faixa” e “seu número está acima do alvo que o seu caso pede”.

Por que o LDL tem cinco linhas

A leitura ingênua da tabela é procurar o próprio LDL e comparar com 115. Ela erra nos dois sentidos: tranquiliza quem não deveria estar tranquilo e assusta quem não precisa.

A diretriz de 2025 não trabalha com faixa de normalidade para o LDL — define a meta a partir da categoria de risco cardiovascular, estimada pelo escore PREVENT (a ferramenta atual, que substituiu o Escore de Risco Global de versões anteriores) somada a critérios clínicos que reclassificam o risco. Cinco categorias:

Baixo — risco calculado abaixo de 5% em 10 anos, sem fator agravante, sem diabetes tipo 2. Meta: LDL abaixo de 115.

Intermediário — risco calculado entre 5% e 20% em 10 anos, ou risco baixo com algum fator agravante (Lp(a) elevada, doença inflamatória crônica, história familiar de doença cardiovascular precoce, entre outros). Meta: LDL abaixo de 100.

Alto — risco calculado igual ou acima de 20% em 10 anos, aterosclerose subclínica documentada (placa em exame de imagem, escore de cálcio coronário elevado), LDL-c igual ou acima de 190 mg/dL por si só, ou diabetes com fator agravante. Meta: LDL abaixo de 70.

Muito alto — doença aterosclerótica significativa já estabelecida (obstrução de 50% ou mais em artéria coronária, cerebrovascular ou periférica) ou evento cardiovascular aterosclerótico prévio. Meta: LDL abaixo de 50.

Extremo — categoria nova desta atualização: histórico de múltiplos eventos cardiovasculares ateroscleróticos maiores (infarto, AVC isquêmico, síndrome coronária aguda recente, doença arterial periférica sintomática), ou um desses eventos somado a duas ou mais condições de alto risco (idade acima de 65 anos, diabetes, hipertensão, doença renal crônica, tabagismo atual, entre outras). Meta: LDL abaixo de 40.

O efeito prático: um LDL de 90 mg/dL é resultado ruim para quem está em risco alto e resultado folgado para quem está em risco baixo. A mesma linha do mesmo laudo, dois vereditos opostos. Por isso a categoria de risco não sai do exame de sangue — ela sai da avaliação clínica completa, com histórico, exames de imagem quando indicados e os fatores agravantes na mesa.

Como ler as outras linhas

Colesterol total é a soma, não uma fração. Abaixo de 190 é o desejável; a diretriz recomenda seu uso em rastreamento populacional, mas não para avaliar risco individual, porque uma soma alta pode vir de HDL alto e uma soma normal pode esconder LDL alto com HDL baixo.

HDL é a única linha em que se quer o número acima, não abaixo — o desejável é passar de 40 mg/dL. É também o único parâmetro do painel sem meta terapêutica por categoria de risco: a diretriz recomenda usá-lo como marcador, não como alvo de tratamento.

Colesterol não-HDL é o total menos o HDL, e agrupa tudo o que é aterogênico no plasma. A diretriz define sua meta como exatamente 30 mg/dL acima da meta de LDL da mesma categoria — é alvo coprimário, junto do LDL, e ganha peso quando os triglicérides estão elevados, situação em que o LDL calculado fica menos confiável.

Apolipoproteína B é meta secundária, recomendada sobretudo quando LDL e não-HDL já estão dentro da meta e se quer refinar a avaliação, ou em pacientes com triglicérides acima de 150 mg/dL.

Triglicérides é a única linha em que jejum muda o valor: 150 mg/dL com jejum, 175 sem. Acima de 440 mg/dL em coleta sem jejum, o médico pede nova amostra com 12 horas de jejum.

VLDL não aparece na tabela porque não é medido. Ele é estimado a partir dos triglicérides. A diretriz não estabelece alvo terapêutico para VLDL.

O mesmo sangue não devolve o mesmo número

Antes de tratar qualquer valor como definitivo: a diretriz reconhece que as lipoproteínas sofrem variação biológica intraindividual — o mesmo exame, repetido no mesmo indivíduo sem nenhuma mudança real de saúde, pode devolver números diferentes. Por isso recomenda que a coleta siga condições metabólicas estáveis, sem alteração recente de dieta ou de atividade física.

A consequência é prática: quando o resultado cai perto de um limite de decisão, o caminho é confirmar com nova coleta antes de mudar conduta. Ver 117 onde a meta é 115 não é o mesmo que estar seguramente acima da meta.

Onde cada fração é explicada

Esta página é a referência numérica do cluster. O mecanismo de cada fração — por que o LDL deposita e o HDL remove, o que o VLDL carrega, o que a soma do total esconde — está em texto próprio: colesterol LDL, colesterol HDL, colesterol VLDL e colesterol total.

Resumindo

Três linhas da tabela têm número fixo — total abaixo de 190, HDL acima de 40, triglicérides abaixo de 150 com jejum ou 175 sem. A linha do LDL tem cinco números, de 115 a 40, e qual deles vale para você depende de uma categoria de risco que não está no laudo. O erro mais comum ao consultar uma tabela como esta é ler o LDL como faixa de normalidade quando ele é alvo terapêutico: 90 mg/dL aprova uma pessoa e reprova outra. Some a isso a variação natural entre duas coletas do mesmo indivíduo e fica claro por que um número isolado, sem categoria de risco e sem repetição, não fecha nada.

Perguntas frequentes

Colesterol normal é quanto?

Depende da fração. Pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (SBC, 2025), o desejável é colesterol total abaixo de 190 mg/dL, HDL acima de 40 mg/dL e triglicérides abaixo de 150 mg/dL com jejum (ou 175 mg/dL sem jejum). Para o LDL não existe um número único: a meta vai de 115 mg/dL em risco cardiovascular baixo até 40 mg/dL em risco extremo, passando por 100 no intermediário, 70 no alto e 50 no muito alto.

Por que o valor normal do LDL muda de pessoa para pessoa?

Porque a diretriz de 2025 não trata o LDL como faixa de normalidade — trata como alvo terapêutico, calibrado pela categoria de risco cardiovascular calculada pelo escore PREVENT e por critérios clínicos (doença aterosclerótica já manifesta, diabetes, aterosclerose subclínica em exame de imagem, entre outros). Quem já teve infarto ou AVC entra na categoria de risco muito alto ou extremo, e para essa pessoa 90 mg/dL é um valor elevado. Para alguém de risco baixo, o mesmo 90 está dentro da meta.

Preciso de jejum para fazer o exame de colesterol?

Não como regra. A diretriz recomenda que o perfil lipídico possa ser coletado sem jejum, mantendo dieta e estado metabólico habituais. Só uma linha da tabela muda: os triglicérides, cujo valor desejável passa de 150 para 175 mg/dL sem jejum. Colesterol total, HDL, LDL e não HDL têm o mesmo valor de referência nas duas situações. Se os triglicérides sem jejum vierem acima de 440 mg/dL, o médico solicita uma nova coleta com 12 horas de jejum.

Qual o valor normal de VLDL?

A tabela da SBC não traz linha de VLDL, e isso não é omissão. O VLDL que aparece no laudo não foi medido: é estimado a partir dos triglicérides. Não existe meta terapêutica de VLDL na diretriz — as metas de tratamento são o LDL, como alvo primário, e o colesterol não HDL, como alvo coprimário.

Repeti o exame e o número mudou. Qual dos dois vale?

Provavelmente os dois. As lipoproteínas plasmáticas variam naturalmente de uma coleta para outra no mesmo indivíduo, sem que nada tenha mudado na vida da pessoa — a diretriz chama isso de variação biológica intraindividual, e recomenda que o preparo para a coleta (dieta e atividade física habituais, sem exagero recente para nenhum dos dois lados) seja padronizado para reduzir esse ruído. Quando o resultado cai perto de um limite de decisão, o caminho é confirmar com nova coleta antes de mudar conduta — não tratar um único número como definitivo.

Este conteúdo é informativo, sobre nutrientes e compostos estudados por seus possíveis efeitos — não é indicação médica. Os suplementos indicados neste blog não são medicamentos, não tratam nem curam disfunção erétil, baixa libido ou qualquer outra condição, e não substituem prescrição médica nem tratamento em andamento. Se os sintomas persistirem ou piorarem, procure um profissional de saúde.